O velho caminha à beira da praia
A água ao seu joelho
O velho não tem roupa de banho:
Dobra a bermuda à virilha
E deixa molhar o joelho.
O vento passa pelo velho
E o velho passa pela praia
Crianças correm, brincam.
Umas atiram areia em outras,
Outras pulam pequenas ondas.
Crianças tão pequenas
Na mais pura inocência,
Belas.
Alguns jovens lançam suas pranchas.
Lançam-nas longe
Correm, instalam-se sobre elas
E escorregam, deslizam...
Mais à frente uma senhora tem uma prancha à mão
Chamá-la-ia velha o velho
Ela, com seus cinquenta anos,
Talvez um pouco menos
Talvez um pouco mais.
O velho pouco mais de vinte.
Não há ridículo:
Ela diverte-se.
Lança também a sua prancha
E corre para esbaldar-se sobre ela.
Um pouco mais a dentro um outro velho.
Este não fez questão de subir a bermuda.
Anda, sandálias à mão,
Camisa xadrez encharcada
O mar que o encobre.
Navios grandes que passam;
E o velho continua,
A água ao joelho
Sandálias em mão:
O velho sou eu.
24/09/2011, de dentro da praia do Havre