Não acompanho muito a mídia francesa. Fora ver as manchetes dos jornais (Le Libération, Le Monde e Le Figaro - para equilibrar bem) de raro em raro, às vezes abro uns canais de notícias 24h no computador para ver os flashes do dia.
Há algumas semanas, no fim da tarde de domingo, deparei com um ser já bastante comentado mas que ainda não vira e menos analisara o conteúdo do discurso. Trata-se de Marine Le Pen, possível pré-candidata às presidenciais de 2012 aqui na França. Figura bastante comentada principalmente devido ao sobrenome: é a filha de Jean-Marie Le Pen, um conhecido e persistente ator da extremíssima direita, dono de um discurso inflamado e radical. Em 2002, ele, pelo fenômeno "Tiririca", viu-se levado ao segundo turno contra Chirac o que o trouxe mais à cena. (Acometidos pela barbárie do ocorrido, os franceses deram mais de 80% dos votos a Chirac então.)
Hoje mais uma vez tive a chance de ver essa senhora mais uma vez no mesmo canal I-Télé sendo jogada contra a parede pelos entrevistadores franceses (que, por sinal, com seu humor chegam a ser rudes mesmo com o seu presidente). Como seu pai, porta o discurso contra as imigrações, em defesa do cidadão francês, contra a UE, ajudas sociais etc. Questionada sobre a sua suposta xenofobia, uma pérola: "ce qui ne marche pas, c'est justement la diversité sociale".
Num período de crises ecônomicas e de protecionismo em marcha, o espaço dado a essa senhora é o que espanta. Dona de uma lábia fácil e de um discurso que consegue se desvencilhar das investidas, com raciocínios que fecham bem e parecem fazer sentido e solução aos olhos dos mais desinformados, Marine Le Pen apenas se beneficia e se propagandeia. Não é à toa que nas pesquisas de opinião ela já apareça quase empatada com Sarkozy...
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