Em verdade, em verdade lhes digo: não basta apenas pertencer à União Europeia para se dizer desenvolvido. Acabo de chegar de dez dias de viagem pela Península Ibérica. Roteiro interessante pelas principais cidades. Principiei em Barcelona, cidade de constrastes entre o novo e o moderno, com obras de Gaudí, modernista do fim do século XIX, que de mim seria chamado louco. Em seguida Madrid, uma capital, com seus turistas e gente pelas ruas.
Em Portugal, todavia, fez-se mais visível o constraste em relação às demais partes da Europa, principalmente, às do centro norte europeu. Ainda que os serviços públicos tenham um funcionamento respeitável, contrariamente ao Brasil em sua maior parte, vê-se a distância do dito desenvolvimento face à falta de senso coletivo e também à degradação visual à que somos submetidos.
Passei por Lisboa, Coimbra e Porto, com alguns passeios em cidades vizinhas a esta última. Em todas é flagrante e fragrante a falta de conservação de todo o seu patrimônio. É histórico, sim, mas também o é sua manutenção.
No nível de preços, outro fator que demonstra um pouco o nível da população, estes variam entre o décimo e a menos da metade dos praticados nos outros países. A alimentação, que em geral torna o custo de vida altíssimo aqui na Europa, é tão ou mais barata que no Brasil! Por outro lado, parece-se que sua evolução, no que se refere à higiene e ao trato com o bem, parou à época de Cabral (mais um ponto para o Brasil, que mesmo é muito mais avançado que a França por exemplo, vide seus peixes e baguetes sob o braço). Pasmo é de se ficar no mercado central do Porto, o Bolhões: é um mercadão, uma feira livre em que feirantes oferecem peixes e frutas com a mesma mão...
Mas por fim, como dizia, é o senso de coletividade que mais falta faz aos povos do sul da Europa (incluam-se os italianos, ou os terroni, segundo a Liga Norte). A busca da vantagem, do jeitinho, única e exclusivamente pessoal é algo presente e que, tal como no Brasil, infelizmente compromete um viver melhor e um desenvolvimento mais igual. O exemplo disso, e a última impressão (e a que ficou) da passagem por Portugal, se deu no aeroporto, quando, com o voo para Paris já atrasado de duas horas, fomos atropelados numa muvuca eu e outros, principalmente franceses, que formávamos a fila para o embarque quando a porta para este foi aberta...
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